Por: Val Freitas
Amor, quando eu não te vejo,
O meu coração entristece.
Qual o dia mais eclipsado
Em que o Sol fulgente houvesse
Sob o véu cendrado
De um tempo que parece
Marcha dum lúgubre cortejo.
Paixão, quando eu não te vejo,
O meu úmido olhar de pranto,
Vertente de águas da melancolia,
Roreja-me as pálpebras quanto
O rocio à flor na manhã fria.
Não te ver dói-me tanto!...
Ver-te sempre é o que almejo.
Ah, insuportável dilação do ensejo
De contemplar-te o cenho divinal!
Para qual devoto à imagem de seu deus
Render-te, divino mortal,
Adoração, que não fazem os ateus
A um deus oculto, ou como tu, real,
Cujos olhos hão celeste lampejo!
Oh! anjo meu, se não te vejo,
Os meus lábios inumam o riso.
Tua falta cala-me o gênio álacre
E o humor não balouça o seu guizo.
Do desgosto, sorvo o fel acre
E no dissabor eu poetizo.
"Tristeza, quão mau é teu harpejo!"
Ó doce amante, enfim, quando te vejo?
Amanhã, logo após o Ocaso,
Quando a brisa mitiga o tempo cálido?
Talvez antes do enegrecer, acaso? (...)
Oh, não duvides se, pois, ficando esquálido,
Souberes-me morrendo por teu descaso,
De meus ais de haveres algo inválido
Feito, que o vento te sussurrou e pouco caso!
Daí então, um meu derradeiro desejo
Realizes carregando um lis álbido
Em meu funéreo cortejo.
E saibas o quanto fui ávido
Por um teu doce beijo.
Em: 25/03/2012.
Em que o Sol fulgente houvesse
Sob o véu cendrado
De um tempo que parece
Marcha dum lúgubre cortejo.
Paixão, quando eu não te vejo,
O meu úmido olhar de pranto,
Vertente de águas da melancolia,
Roreja-me as pálpebras quanto
O rocio à flor na manhã fria.
Não te ver dói-me tanto!...
Ver-te sempre é o que almejo.
Ah, insuportável dilação do ensejo
De contemplar-te o cenho divinal!
Para qual devoto à imagem de seu deus
Render-te, divino mortal,
Adoração, que não fazem os ateus
A um deus oculto, ou como tu, real,
Cujos olhos hão celeste lampejo!
Oh! anjo meu, se não te vejo,
Os meus lábios inumam o riso.
Tua falta cala-me o gênio álacre
E o humor não balouça o seu guizo.
Do desgosto, sorvo o fel acre
E no dissabor eu poetizo.
"Tristeza, quão mau é teu harpejo!"
Ó doce amante, enfim, quando te vejo?
Amanhã, logo após o Ocaso,
Quando a brisa mitiga o tempo cálido?
Talvez antes do enegrecer, acaso? (...)
Oh, não duvides se, pois, ficando esquálido,
Souberes-me morrendo por teu descaso,
De meus ais de haveres algo inválido
Feito, que o vento te sussurrou e pouco caso!
Daí então, um meu derradeiro desejo
Realizes carregando um lis álbido
Em meu funéreo cortejo.
E saibas o quanto fui ávido
Por um teu doce beijo.
Em: 25/03/2012.

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