sábado, 15 de setembro de 2012

À tua espera (soneto)

Em seus passos o tempo é mais ronceiro

Quando sôfrego, eu fico à tua espera

Qual Natura aguardando a Primavera

No rigor da estação que faz ludreiro.


Parece um indolente caminheiro

O Tempo, e tal delonga desespera

De ver-te, meu ser, como ansiosa era

Penélope em rever seu companheiro.


Move-te na lepidez qual das vagas

Que as areias, frementes, vão beijar.

Ó doce amor, assim vinde e me afagas!


Como Zeus obstinou-se carregar

De Tiro, Europa, a tão distantes plagas,

Cúpido de amor vem-me igual raptar!

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