terça-feira, 12 de julho de 2011

Cópula

Paixão,
Afaga-me de tuas mãos nas carícias!
Afoga-me do mar do amor nas delícias!
Quero-te! Desnuda o teu corpo agora!
A luxúria, em mim, tal pedido exora:
Despe-te! O tesão é um sátiro caprichoso;
Quer o labor do sexo, o deleite do gozo.
Vem. Cinges-me a tu num abraço.
Sou teu. Uma qual dócil caça que se permite ao teu laço.
Oscula-me. O meu ardor em teus lábios sufoca.
Premente,
Ao ato de amar a volúpia convoca.
Vamos. O leito do amor está pronto!
As ideias que minha mente povoam nem te conto!
São fesceninas
Qual no lupanar das vendidas as ações.
E nus, de vez, nossos corpos, entreguemo-nos
Às mais prazerosas sensações.
Beija-me! preme-me!
Mordisca-me! enlouquece-me! usa-me ao teu sabor!
Assassina o recato, escorraça a vergonha, perde o pudor!
E a flama, lépida, se espraie do ardor.
Gemidos à cópula delirante:
É alta a febre de amor desse instante.
Férvido o sangue, nossos corpos exsudam.
Executemos o que amantes
Do manual de Eros estudam.
Oh, amor! É chegado o ápice. Arquejo.
Montemos tendas nessa colina do desejo.
Vivamos de amar.
Do prazer o fluido em violento despejo
A transa arremata. Dá-me um beijo!
Agora vamos relaxar.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sozinho



Verte o páramo celeste o pranto tempestuoso
Melancolia do tempo. Cidade banhada.
Arde-me o crânio à ideia trêfega
Dum desejo de amar-te
Paixão desenfreada.

Lá fora o sopro álgido do vento
Águas que ondulam
Na solidez dos pavimentos.
Dentro em mim, o desejo clama
No desabrochar da volúpia,
Por ti, meu corpo chama!
Chama ardente 
No instante da chama.

Estás longe. Nem sentes então
O fluido do amor
No meu peito a pulsar
Tão vibrante o coração!
E nas artérias ferver o sangue
Do ardor na convulsão.


À noite elevada, o impulso erótico
Despertou-se-me num golpe insano, candente.
Um trago de vinho, um estro poético
Por tu, que aqui te fazes ausente.

Teus belos olhos de límpido céu
Tuas formas harmoniosas que olores recendem
Oh, anjo venusto!
O fascínio tens que os tolos já prende.
Estás longe. Eu sozinho.
Mas no meu vaporoso pensamento
Vejo-te em meu leito gemendo
Das vezes passadas
De deleitáveis momentos.

E quando à janela cismando
Teus ósculos doces eu sinto
A lascívia de seu licor me embriaga.
E no lupanar que me cria a ilusão,
Atira-me a vontade à gozosa sensação
Do feito prazenteiro da luxúria
Que eu me fazê-lo consinto.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Que será a paixão?



Que será a paixão?
Essa flama que se espraia e se não debela no tugúrio cordial do ser?
Uma força arrebatadora que, num momento extático ao céu nos leva quando se flertam os olhares
E ao inferno nos lança se um destes é repudiado?
Será o ópio que entorpece e vicia e alucina a mente e causa-nos overdose de volúpia?
O licor que Eros, caviloso, oferece-nos e ri-se de nossa ebriedade grotesca?
Que será a paixão?
A emoção veemente e terrível que nos faz vulneráveis, pobres atoleimados, perdidos num labirinto de fantasias?
A ágil pulsação das artérias, a respiração descompassada, o coração palpitante, o pensamento que se não desprende de quem é querido?
Será o impulso louco que quer  atropelar a razão?
O despertar dos instintos lúbricos que evitam os santos por seus escrúpulos e traz o caos à quietude da vida dos homens comuns?
Talvez um engodo aos corações incautos?
A pirexia do desejo imediato de amar?
A contumaz causadora do contentamento e do choro?
Ah! a paixão! Tão desconcertante, tão imprevisível, tão voluntariosa.
Não é plácida a sua chegada, é tempestuosa.
Qual procela inopinada a agitar convulsa as vagas do mar, assim é que vem.
O coração nosso é o mar que se faz revolto à sua chegada.
Tudo se desestabiliza, tudo fica fora de lugar.
E como a odeio por essa capacidade que tem!
Odeio-a visceralmente porquanto me faz sofrer, devastando impiedosa o meu coração, confundindo-me a razão, desnorteando-me da via do equilíbrio.
Odeio-a pelas noites que me ardendo o crânio os pensamentos fesceninos com quem tenho amado, trazia-me a perturbadora insônia.
Odeio Cupido com sua seta maldita que me fez seu escopo, acertou o seu alvo e, por gracejo, o meu não flechou.
Odeio, odeio, odeio a paixão! Odeio estar apaixonado.
Ficar néscio, perdido nas fúteis divagações, disperso, sentimentalóide, taciturno, recluso em mim mesmo.
A paixão deixa-me mal!
Desespera-me, faz-me pávido diante dela. Eu a odeio porque temo senti-la.
Ela é uma força arrasadora, às vezes até destrutiva, e também sofrimento.
Ora, não foi por Paixão que Cristo morreu na cruz?
Com efeito, a paixão é sofrimento e fatal como a morte!
Embora a odeie, dela não escapo. A sua trama prende-me bem.
Ela escraviza-me, tripudia de mim, desperta-me os sentidos à concupiscência.
Como intrusa, aboleta-se de meu coração, e de mim rouba a paz.
Ah! Bandida cruel!
Não vês o que fazes comigo? Por que a mim escolheste a ser a tua vitima?
Que gozo tens em ver-me prisioneiro teu?
Sádica dos infernos!
Abandona-me ou treslouca-me logo.
Não será esta a tua pretensão: levar-me a insânia?
Por Deus, deixa-me sem demora! Peço-te, deixa-me!
Do contrário, os teus ímpetos far-me-ão abeberar o vinho embriagador de Dionísio e lascívia, tão festiva, doravante, acompanhar-me-á.