sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sozinho



Verte o páramo celeste o pranto tempestuoso
Melancolia do tempo. Cidade banhada.
Arde-me o crânio à ideia trêfega
Dum desejo de amar-te
Paixão desenfreada.

Lá fora o sopro álgido do vento
Águas que ondulam
Na solidez dos pavimentos.
Dentro em mim, o desejo clama
No desabrochar da volúpia,
Por ti, meu corpo chama!
Chama ardente 
No instante da chama.

Estás longe. Nem sentes então
O fluido do amor
No meu peito a pulsar
Tão vibrante o coração!
E nas artérias ferver o sangue
Do ardor na convulsão.


À noite elevada, o impulso erótico
Despertou-se-me num golpe insano, candente.
Um trago de vinho, um estro poético
Por tu, que aqui te fazes ausente.

Teus belos olhos de límpido céu
Tuas formas harmoniosas que olores recendem
Oh, anjo venusto!
O fascínio tens que os tolos já prende.
Estás longe. Eu sozinho.
Mas no meu vaporoso pensamento
Vejo-te em meu leito gemendo
Das vezes passadas
De deleitáveis momentos.

E quando à janela cismando
Teus ósculos doces eu sinto
A lascívia de seu licor me embriaga.
E no lupanar que me cria a ilusão,
Atira-me a vontade à gozosa sensação
Do feito prazenteiro da luxúria
Que eu me fazê-lo consinto.

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