segunda-feira, 4 de julho de 2011
Que será a paixão?
Que será a paixão?
Essa flama que se espraia e se não debela no tugúrio cordial do ser?
Uma força arrebatadora que, num momento extático ao céu nos leva quando se flertam os olhares
E ao inferno nos lança se um destes é repudiado?
Será o ópio que entorpece e vicia e alucina a mente e causa-nos overdose de volúpia?
O licor que Eros, caviloso, oferece-nos e ri-se de nossa ebriedade grotesca?
Que será a paixão?
A emoção veemente e terrível que nos faz vulneráveis, pobres atoleimados, perdidos num labirinto de fantasias?
A ágil pulsação das artérias, a respiração descompassada, o coração palpitante, o pensamento que se não desprende de quem é querido?
Será o impulso louco que quer atropelar a razão?
O despertar dos instintos lúbricos que evitam os santos por seus escrúpulos e traz o caos à quietude da vida dos homens comuns?
Talvez um engodo aos corações incautos?
A pirexia do desejo imediato de amar?
A contumaz causadora do contentamento e do choro?
Ah! a paixão! Tão desconcertante, tão imprevisível, tão voluntariosa.
Não é plácida a sua chegada, é tempestuosa.
Qual procela inopinada a agitar convulsa as vagas do mar, assim é que vem.
O coração nosso é o mar que se faz revolto à sua chegada.
Tudo se desestabiliza, tudo fica fora de lugar.
E como a odeio por essa capacidade que tem!
Odeio-a visceralmente porquanto me faz sofrer, devastando impiedosa o meu coração, confundindo-me a razão, desnorteando-me da via do equilíbrio.
Odeio-a pelas noites que me ardendo o crânio os pensamentos fesceninos com quem tenho amado, trazia-me a perturbadora insônia.
Odeio Cupido com sua seta maldita que me fez seu escopo, acertou o seu alvo e, por gracejo, o meu não flechou.
Odeio, odeio, odeio a paixão! Odeio estar apaixonado.
Ficar néscio, perdido nas fúteis divagações, disperso, sentimentalóide, taciturno, recluso em mim mesmo.
A paixão deixa-me mal!
Desespera-me, faz-me pávido diante dela. Eu a odeio porque temo senti-la.
Ela é uma força arrasadora, às vezes até destrutiva, e também sofrimento.
Ora, não foi por Paixão que Cristo morreu na cruz?
Com efeito, a paixão é sofrimento e fatal como a morte!
Embora a odeie, dela não escapo. A sua trama prende-me bem.
Ela escraviza-me, tripudia de mim, desperta-me os sentidos à concupiscência.
Como intrusa, aboleta-se de meu coração, e de mim rouba a paz.
Ah! Bandida cruel!
Não vês o que fazes comigo? Por que a mim escolheste a ser a tua vitima?
Que gozo tens em ver-me prisioneiro teu?
Sádica dos infernos!
Abandona-me ou treslouca-me logo.
Não será esta a tua pretensão: levar-me a insânia?
Por Deus, deixa-me sem demora! Peço-te, deixa-me!
Do contrário, os teus ímpetos far-me-ão abeberar o vinho embriagador de Dionísio e lascívia, tão festiva, doravante, acompanhar-me-á.
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