sábado, 22 de fevereiro de 2014

Sem medidas.

"Eu sou oito ou oitenta.
 Tudo ou nada!
 Calidez ou umidade
 Touro bravio ou fera domada. 
 Eu sigo a volição da matéria 
 Ou me repouso no leito da alma.
 Eu amo os luzeiros da Treva 
 Odeio as horas ensolaradas! 
 Eu durmo bem em catre do misérrimo
 Tal qual sob os lençóis da opulência.
 Eu sou controle e incontinência
 Céu enxuto ou borrasca inopinada.
 Eu sou suor ou calafrio
 Paciente ou sem pavio
 Garapa ou água salgada.
 Eu busco o vício ou a virtude
 A dissolução ou a santidade
 Quero o asseio ou o grude
 O gozo mundano ou da eternidade. 
 Eu vomito o que é tépido. 
 Tenho pés preguiçosos ou lépidos. 
 Não sei o que é meio.
 Vivo nas extremidades."

 Valdemar Freitas 


 Em: 10/08/2013

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