Eu quis.
Eu quis a poesia dos teus lábios
Mas eles se fizeram túmulo ante os meus.
Eu quis a ternura de tuas mãos
Mas negaste-me a delícia de segurar nelas.
Eu quis o ardor de teu corpo
Mas a mim te fizeste cadáver frio.
Eu quis o néctar das noites gozosas
Mas deixaste-me o dissabor dos dias acres.
Eu quis viver o céu ao teu lado
Mas um purgatório interpôr-se entre nós
Eu quis casar-me com tua alma
Mas tua alma estava em núpcias com teu ego.
Eu quis te ofertar poemas e lírios
Mas amassaste meu coração e escarraste nas flores.
Eu quis ser todo teu
Mas a minha totalidade era-te tenebrosa.
Eu quis o teu amor valioso
Mas só deste-me migalhas de afeto.
Eu quis contigo ver encantos de aurora
Mas deixaste-me o seio de emoções nubladas e olhos em temporal...
Valdemar Freitas.
17/02/2014.

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